Mais do que avanços científicos ou novas tecnologias, uma transformação silenciosa vem moldando a atuação de profissionais da saúde: o crescimento do investimento em branding pessoal como ferramenta para se comunicar com mais clareza e relevância com o público.
A tendência acompanha a expansão global da indústria de bem-estar, que já movimenta trilhões de dólares, e reflete a busca por profissionais capazes de ir além da excelência técnica. Nesse cenário, a percepção pública se torna um componente central da reputação, especialmente em áreas como dermatologia, saúde da mulher, longevidade e medicina integrativa.
— Hoje, a forma como o médico se apresenta, se comunica e posiciona sua prática impacta diretamente sua autoridade profissional — explica Sabrina Bender, estrategista especializada em marcas médicas.
Segundo ela, há uma mudança significativa na forma como esses especialistas lidam com a própria imagem. Embora a formação e o currículo continuem fundamentais, já não bastam sozinhos. Ganha destaque uma abordagem mais consciente, baseada em narrativas consistentes que ajudam o paciente a entender não apenas o que o médico faz, mas por que ele faz.
— A reputação deixou de ser uma consequência do tempo para se tornar um ativo estratégico. O paciente valoriza transparência no raciocínio clínico, escuta qualificada e o propósito que sustenta as escolhas profissionais — afirma.
Sabrina desenvolveu o conceito de “narrativa consciente”, que propõe que o médico selecione com intencionalidade o que deseja comunicar, de acordo com seus valores e visão de atuação. A ideia não é criar uma imagem idealizada, mas tornar visível o que torna aquele trabalho único e relevante.
Nesse processo, atributos como ética, autenticidade e clareza ganham peso. Conteúdos que mostram bastidores da rotina, dilemas profissionais ou até vulnerabilidades reais costumam gerar mais conexão do que produções excessivamente polidas ou genéricas.
— O excesso de discursos padronizados tem gerado uma demanda por conexões mais humanas. O paciente quer entender como o médico pensa, o que guia suas decisões e de que forma ele enxerga o cuidado de maneira integral — diz.
Construir uma presença sólida, no entanto, vai além das redes sociais. Inclui consistência de linguagem, posicionamento e comportamento em todos os pontos de contato com o público. Para Sabrina, profissionais que conseguem unir conhecimento técnico a uma comunicação consciente tendem a se destacar, inclusive fora do ambiente digital.
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Além de atuar diretamente com médicos, Sabrina também leciona em cursos de pós-graduação e integra o corpo docente do MBA “Marketing, Vendas e Geração de Valor”, voltado a empreendedores. Na sua avaliação, os profissionais mais preparados para o futuro serão aqueles capazes de traduzir complexidade técnica em mensagens acessíveis, sem abrir mão de profundidade.
— Vivemos uma transição importante. A autoridade médica, antes pautada apenas pelo domínio da informação, agora também exige visão estratégica e capacidade de formar opinião de forma acessível e ética.
Mais do que visibilidade, o movimento em torno do branding pessoal representa, segundo Bender, uma nova forma de se conectar com a sociedade. O objetivo não é apenas ser reconhecido, mas ser lembrado pelas razões certas, o que envolve, cada vez mais, coerência, clareza de valores e vínculos genuínos com quem busca cuidado.
Fonte: O Globo